Ano 10 - Número 30 - Dezembro 2009
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Edição número 30 | Entrevista VIP
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Um mercado de oportunidades

Armando Vergilio

A principal autoridade do mercado de seguros, Armando Vergilio dos Santos Junior, conversou com a revista SulAmérica Online sobre os principais assuntos de interesse do corretor de seguros. Otimista, o responsável pela Superintendência de Seguros Privados observa um mercado cada vez mais promissor.

A ampliação do escopo do mercado, com o advento dos microsseguros e dos novos produtos PreviSaúde e PreviEducação; a criação de novos segmentos de atuação para o corretor de seguros e principalmente, o cenário favorável em que o País se encontra são fatores citados por Vergilio para explicar o ânimo com que enxerga o mercado. O superintendente ressalta também que a escolha do País para a Copa do Mundo de 2014, a realização das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro e a recente descoberta da camada de petróleo no pré-sal também abrem novos horizontes para a economia nacional e, consequentemente, para o mercado de seguros.

SulAmérica Online - O que inibe o desenvolvimento de produtos populares no Brasil e qual a sua proposta para resolver isso?
Armando Vergilio - A Susep lançou, há alguns anos, duas circulares referentes a seguros populares – seguro de automóvel e seguro de vida. O seguro popular de vida acabou se confundindo com as apólices tradicionais de seguro de vida em grupo. Para que esse produto se torne ainda mais acessível, no contexto do microsseguro, seria necessária a criação de uma política tributária adequada, além de canais de distribuição e de cobrança alternativos. No caso do seguro popular de automóvel, o principal obstáculo foi a impossibilidade de reutilização das peças automotivas, tendo em vista que o Código Civil obriga a reposição por peças originais. Isso acabou encarecendo muito o produto, levando as seguradoras a não se interessarem pela comercialização. O valor do prêmio também ficou alto para o segurado.
SAOL - Os investimentos e consequente crescimento do microsseguro no Brasil devem contribuir para que as classes C, D e E também participem do mercado de seguros no Brasil e a criação de uma rede de vendedores preparados para atuar no segmento proporcionou um aquecimento do tema no mercado. Como o senhor observa isso?
AV - As classes C, D e E são as que mais necessitam de seguros e, no entanto, são as que menos contratam apólices, por falta de uma cultura financeira, pelos altos custos e por não terem produtos específicos que atendam às suas necessidades. Com o surgimento dos microsseguros as pessoas ficarão amparadas em caso de algum sinistro. O microsseguro é uma grande ferramenta de inclusão financeira e social, por isso, tem sido uma das preocupações do governo atual. Durante os estudos desenvolvidos pela Comissão de Microsseguros do CNSP, limitamos a renda do público-alvo em até três salários mínimos. Os produtos vão precisar de um tratamento tributário diferenciado, com o objetivo de torná-los mais acessíveis à população de baixa renda. O tíquete médio deve girar em torno de R$10. O principal canal de venda serão os corretores de microsseguros e a proximidade entre a população e esse profissional será uma vantagem para o sucesso das vendas. Devem ser criados cerca de 20 mil empregos ao longo de cinco anos. O substitutivo ao projeto de lei n. 3266, de 2008, do deputado Aelton Freitas, prevê a criação de corretores de microsseguros e correspondentes de microsseguros que poderão ser qualquer pessoa jurídica ou empresário.
"O microsseguro é uma grande ferramenta de inclusão financeira e social, por isso, tem sido uma das preocupações do governo atual" - Armando Vergilio
SAOL - Ao assumir sua nova função, você declarou que o ambiente do mercado está favorável ao setor de seguros, que tem condições para elevar sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para até mais de 6% em 2010, com a ressalva de que seria necessário estimular o crescimento do setor com ações empreendedoras, além de uma maior interação com os demais segmentos da economia e do mercado financeiro. Como você observa isso hoje?
AV - Mesmo após a crise financeira internacional o mercado securitário brasileiro manteve-se incólume e firme no cenário econômico. Isso projetou o setor de seguros para um patamar mais elevado. Existe um espaço orgânico de crescimento. A necessidade de segurar os bens é cada vez mais percebida pelos consumidores brasileiros e, se alinharmos essa necessidade com ações empreendedoras, podemos alavancar de vez o mercado de seguros no Brasil. Em 2009, o setor de seguros deve crescer entre 10% e 12% em relação a 2008, sendo que até setembro do ano passado não se falava em crise. Isso já é um grande resultado, considerando que o PIB do País deverá crescer entre 1% e 1,5%. As companhias seguradoras estão sólidas e capitalizadas para fazer frente a esse crescimento. Para 2010, há uma perspectiva de aumento de vendas em 20% diante de um PIB que poderá evoluir 5%.
SAOL - Quando se fala em mercado aberto, uma das questões é a da vulnerabilidade da indústria brasileira de seguros perante os grandes eventos mundiais. O aumento de desastres climáticos, como furações e enchentes, pode impactar no preço do seguro no Brasil? Qual o papel da Susep nestes casos? Ela pode intervir?
AV - Como qualquer aumento de sinistralidade, mais desastres climáticos podem resultar em um preço mais elevado do resseguro. No caso do Brasil, como esses desastres climáticos são muito raros, os impactos no setor seriam apenas indiretos. A indústria de seguros brasileira não possui exposição relevante a esses desastres.
SAOL - O segmento de veículos manteve-se aquecido com a queda do IPI. Agora, com a retomada da Economia, o Imposto sobre Produtos Industrializados deve aumentar. Como você observa esse movimento e os impactos ao longo do ano? Quais as expectativas para ano que vem?
AV - A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), anunciada no ano passado, entrou no conjunto de incentivos do governo brasileiro à indústria automobilística e ajudou a aquecer as vendas, assim como os seguros de automóveis. As pessoas já têm a cultura de sair da loja com o carro zero segurado; com isso o seguro de automóveis é um dos mais comercializados e conhecidos da população. O setor de automóveis vem apresentando um crescimento ao longo dos anos. Temos a perspectiva que essa tendência continue nos próximos anos.
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