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SulAmérica Online – Por que a representação do mercado segurador mudou e o que esta mudança representa para a história do seguro brasileiro?
João Elísio – A grande vantagem do novo modelo institucional do mercado segurador é que, além de possibilitar que cada federação concentre sua atenção em temas específicos, incorpora ao debate e ao compromisso, com a busca de objetivos e interesses comuns, um número muito maior de lideranças do mercado, representado pelos cargos que passaram a ocupar nas diretorias das entidades. Estou certo de que esse processo de mudanças vai ajudar o setor de seguros a se igualar aos mais expressivos segmentos da economia. E isso é uma conquista, um momento histórico para o mercado, que vê surgir assim uma nova era.
“Não tenho dúvidas de que o novo modelo significa união de forças. Estaremos mais preparados para enfrentar os desafios de nossas atividades e mais perto de alcançar sucesso em nossas propostas e sugestões”
SAOL – Como entidade máxima do mercado segurador, a futura Confederação terá quais atribuições?
JE – A CNSeg – Confederação Nacional de Seguros, Resseguros, Previdência Privada, Saúde Suplementar e Capitalização, nome que foi aprovado pelo Conselho Consultivo da Fenaseg, terá como atribuição congregar as principais lideranças, coordenar as ações políticas, elaborar planejamento estratégico e desenvolver as atividades de interesse comum às novas federações. Esse contexto inclui, entre outras ações, a gestão do plano integrado de prevenção e redução da fraude em seguros e a das relações internacionais com entidades como o Mercosul, a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Federação Interamericana de Empresas de Seguros (Fides).
SAOL – Entre os desafios do setor de seguros, sem dúvida está o Plano Integrado de Prevenção e Redução da fraude em seguros. Que tipo de resultados já foi alcançado?
JE – As ações do Plano Integrado se concentram em objetivos institucionais e nesse aspecto as parcerias firmadas com os Serviços de Disque-Denúncia nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Espírito Santo, estando em negociação a ampliação desses serviços para outras regiões; a criação de mecanismos de cooperação com diversos órgãos públicos e também apoio a vários eventos organizados pelo Poder Público no interesse do combate à fraude; apresentação de proposta de modificação da legislação com vistas a tornar mais rigorosa a punição dos fraudadores; o lançamento de um serviço chamado SQF – Sistema de Quantificação da Fraude que, desde 2001, reúne informações do mercado brasileiro sobre os indicadores de fraude; a realização de eventos educacionais nas principais cidades brasileiras, reunindo um público de mais de 5.000 pessoas, tendo por tema as questões da prevenção da fraude em seguros, entre outros.
SAOL – A existência de federações especialistas em determinados segmentos contribuirá para a busca de soluções para problemas antigos do mercado, como por exemplo a criação da cultura do seguro e o crescimento da base segurada?
JE – Sem dúvida. O novo modelo de representação do mercado segurador representa união de forças, e isso significa que estaremos mais preparados para enfrentar os desafios da nossa atividade e mais perto de alcançar sucesso em nossas propostas e sugestões.
SAOL – A nova representação institucional das seguradoras ocorre em um momento particularmente interessante de abertura do resseguro e de estabilidade econômica no País. Na sua opinião, como estes dois fatores estão impactando o mercado?
JE – A abertura do mercado de resseguro é benéfica para o País. O mercado de seguros vai se desenvolver e novos investimentos serão atraídos para o Brasil na medida em que a operação de resseguro deixe de ser controlada pelo governo; a sociedade receberá os benefícios de uma indústria de seguros mais qualificada a atender às necessidades de seguro das empresas e pessoas. As empresas e as pessoas e suas famílias serão beneficiadas com concorrência entre resseguradores, que estarão interagindo com as seguradoras, tanto na oferta de novos produtos como na introdução de metodologias de gerenciamento de riscos e das carteiras das seguradoras. As vantagens da pluralidade de oferta de resseguro no nosso mercado incluem a disponibilidade de novos produtos e a identificação de novos nichos. As pequenas e médias seguradoras poderão atrair resseguradores que podem lhes oferecer, além de capacidade financeira, know-how para prospectar novos negócios.
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