O combate à fraude é uma constante na companhia, que investe tanto em ações de conscientização ao quadro funcional e à sociedade quanto em tecnologias para detectar e impedir possíveis processos fraudulentos em curso. Uma das mais importantes dessas ferramentas são as “pautas-filtro”, ou redflags, um conjunto de ferramentas nos sistemas que acende um sinal de alerta vermelho para possíveis irregularidades, levando a uma análise mais apurada da companhia durante os processos de emissão/ aceitação de risco ou liquidação de sinistro, evitando prejuízos.
“Tratam-se de perguntas que o sistema faz automaticamente e, a depender da resposta, resultam em determinada pontuação”, explica Emil Andery, diretor de Auditoria e Compliance da SulAmérica. Esses indicadores, isolados ou em conjunto, apontam os processos “potencialmente irregulares”, que são submetidos à avaliação criteriosa da companhia.
Esses indicadores, na opinião do diretor, permitem às unidades de negócio segregarem os processos que serão investigados daqueles que terão andamento normal, por meio de critérios uniformes e menos suscetíveis a erros dos analistas, o que dá mais segurança. Atualmente, as áreas de aceitação e sinistros de algumas unidades de negócios já utilizam essas ferramentas no dia-a-dia, que resultam de uma parceria interna da SAS entre as Áreas de Prevenção e Combate à Fraude (Dicaf), Tecnologia e respectivas Unidades de Negócios.
O desenvolvimento das pautas-filtro nos processos envolvendo sinistros iniciou-se no ramo de automóveis em 2001 e, no primeiro momento, tinha 13 indicadores de risco. Hoje já somam 104, contemplando não apenas situações de risco de fraude, mas também de possíveis tentativas em relação à lavagem de dinheiro.
“Em razão de ações de prevenção à fraude, como os redflags, a companhia já pôde evitar perdas na ordem de R$ 70 milhões”, destaca Emil. Para este ano, a Área de Prevenção à Fraude, em conjunto com as respectivas Unidades de Negócios, está desenvolvendo novos redflags para a Unidade de Riscos Industriais e Comerciais. As fraudes, de modo geral, prejudicam o segurado, por conta do aumento do prêmio, os acionistas, que vêem diminuir seus negócios, e também a sociedade, pois menos pessoas têm acesso aos seguros.
Investida contra o crime
O esforço para combater o crime também mobilizou a Federação Nacional das Empresas de Seguro Privado e Capitalização (Fenaseg) a traçar um Plano Integrado de Prevenção e Redução de Fraudes. Periodicamente são coletados dados com as seguradoras para a manutenção de um Sistema de Quantificação, que mede o impacto da fraude no mercado segurador.
Desde que começou a ser feito, em 2001, o banco de dados consolida informações sobre suspeita de fraude, fraudes apuradas e fraudes comprovadas, mas lamentavelmente não retrata a realidade do mercado: das empresas procuradas pela Fenaseg, apenas 60% delas responderam à entidade e somente 39% das respostas puderam ser aproveitadas, por falta de registro histórico sobre o assunto.
Ainda que incompleto, o sistema permitiu à SulAmérica comparar os indicadores e “testar” a eficiência das suas ferramentas inteligentes, revelando se os novos critérios de seleção na aceitação de sinistros estão sendo, ou não, eficientes contra a fraude.
“A comparação entre os resultados dos indicadores da SulAmérica com os da Fenaseg indicaram, em princípio, que os controles internos da companhia são mais ‘detectivos’ que o outro, tendo em vista o indicador ‘Suspeita de Fraude’ mostrar-se ligeiramente superior em relação ao apurado no mercado”, opina o diretor. “A menor incidência de fraudes comprovadas indica que estamos no caminho certo, pois aponta a diminuição da ocorrência de fraude”, conclui.