Artigo
   
 
   

Um dia sem seguro

Por João Elísio Ferraz de Campos,
Presidente da Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização


Por ocasião do Dia Continental do Seguro – 14 de maio – escrevi um artigo em que pretendia induzir as pessoas a pensarem no que seria o mundo se, em determinado dia, não houvesse cobertura de seguro para nenhum risco. A reflexão partia do princípio de que o setor de seguros, previdência complementar e capitalização é responsável pelo dinamismo de diversos segmentos da economia que os números, por si só, nem sempre revelam.

 

Foto: Divulgação

   


O que significam os R$ 29,4 bilhões de indenizações e benefícios pagos no ano passado? Se analisarmos, por exemplo, o ramo de automóveis, vamos constatar que o valor de R$ 6,9 bilhões pago em cerca de 1,8 milhão de sinistros equivale à metade do faturamento de uma montadora como a Volkswagen, que produz cerca de 570 mil veículos por ano e tem 24 mil empregados. E as 170 mil indenizações anuais (média de R$ 22 mil) por óbitos representam cerca de 30% dos falecimentos ocorridos na faixa etária da população economicamente ativa (entre 20 e 74 anos).

Meu sentimento é de que as pessoas, embora suas vidas estejam marcadas individual e coletivamente pela proteção dos seguros, não têm consciência da sua importância. E não têm porque é muito difícil imaginar como seria um dia sem seguro, ou seja, um dia em que os riscos de todas as atividades humanas deixariam de estar cobertos por seguros.

Se isso acontecesse, os aviões não levantariam vôo, os navios não largariam dos portos e o transporte de pessoas em geral não funcionaria pela falta da proteção do seguro de vida e acidentes pessoais. Milhares de atendimentos médico-hospitalares não se realizariam sem seguro saúde. Milhares de veículos provavelmente não circulariam porque seus proprietários não correriam o risco de acidentes sem o seguro de automóveis. Conseqüentemente, milhares de oficinas e seus empregados não teriam trabalho e poucos carros novos seriam vendidos porque muito pouca gente se arriscaria a retirar um veículo das concessionárias sem antes fazer o seguro. As grandes plantas industriais parariam de produzir porque os empresários, certamente, não admitiriam que seus investimentos e seus empregados ficassem expostos aos riscos sem a cobertura do seguro.

O comércio sofreria um impacto sem precedentes, com os produtos presos em seus depósitos e impedidos de chegar a seus destinos, dentro dos países e no exterior, por falta da cobertura do seguro, e o desenvolvimento tecnológico ficaria estagnado porque nenhum avanço acontece, nenhum satélite é lançado ao espaço sem a proteção do seguro.
De um modo geral, todas as pessoas e atividades seriam afetadas em suas vidas e seus negócios se houvesse "um dia sem seguro". Os prejuízos socioeconômicos equivaleriam aos de uma imensa greve geral sem piquetes e passeatas, mas com seqüelas que permaneceriam indefinidamente no inconsciente das pessoas.

Se acontecesse "um dia sem seguro" e se esse dia fosse o dia 11 de setembro de 2001, por exemplo, as vítimas do atentado de Nova York não receberiam as indenizações, calculadas entre 70 e 100 bilhões de dólares, por morte, danos materiais, lucros cessantes etc.
O papel do seguro, em seu conceito mais abrangente, é esse: dar às pessoas tranqüilidade para sonhar, ousar e realizar, com a certeza de que os riscos de viver e trabalhar têm a proteção de uma instituição: a instituição ‘seguro’.